Durante este mês de Agosto aconteceu a residência de pesquisa no Brasil do projeto Barulho das Pedras no âmbito do programa Cruzamentos e da Bolsa Funarte Aliança Francesa. 

 

A artista visual e cenógrafa Domitille Martin, e a bailarina e acrobata Nina Harper, ambas do coletivo francês Maison Courbe e o diretor, ator e dramaturgo brasileiro Ricardo Cabral, do Teatro Caminho trabalharam no espaço de criação da Intrépida Trupe, na Fundição Progresso.

 

A pesquisa se articula em torno de um espaço no qual pedras são suspensas por cordas finas. Do jogo entre pesos e deslocamentos em (des)equilíbrio, nascem movimentos entre humanes e minerais.

 

Se o céu está caindo – como dizem as palavras do xamã Davi Kopenawa Yanomami – esse instante de suspensão nos oferece a oportunidade de tentar escapar ao antropocentrismo que marca nossa relação ocidental com os demais seres vivos. Entre corpo humano e corpo pedra, talvez possamos, como propõe o pensador e líder da causa indígena Ailton Krenak, contar mais uma história “para adiar o fim do mundo”.

Uma abertura de processo com o público permitiu às artistas partilhar suas pesquisas sobre os temas do mineral e do colapso, num trabalho que se apoia em diferentes suportes e linguagens: suspensão aérea, formas esculturais, instalações no espaço, dança, dramaturgia etc.

 

O espaço da Intrépida Trupe na Fundição Progresso, mastigado e precisando de renovação, ecoou com a pesquisa, e foi um lugar privilegiado para acolhê-la. 

 

O projeto BARULHO DAS PEDRAS foi contemplado pelo edital bolsa Funarte – Aliança Francesa de residências artísticas em artes cênicas Brasil / França – 2021 e do Programa Cruzamentos – Croisements, uma iniciativa de Chaillot – Théâtre national de la Danse em Paris, MC2 – Maison de la Culture de Grenoble, das Alianças Francesas do Brasil, em parceria com a Funarte, no âmbito da “Fabrique des Résidences” do Institut Français, e com apoio da Embaixada da França no Brasil.

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@IgorAngelkorte
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